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«Carta a todos os chefes e patrões de mulheres grávidas ou com filhos»

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publicado há 2 semanas
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Queridos, chefes, patrões, coordenadores e administradores deste país,

Antes de mais deixem-me apresentar-me! O meu nome é Ana, sou mãe de um menino de cinco anos e trabalho na área da comunicação.

Desde que faço descontos, ou seja, desde os meus 18 anos, que sempre fui uma funcionária exemplar em todos os sítios por onde passei.

Sempre fui elogiada por todos os meus chefes e patrões pelo meu profissionalismo e sempre exerci as minhas funções com o maior brio possível.

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Até que fui crescendo e fui percebendo a mentalidade – que até determinada idade me passava ao lado – que existe nas empresas em relação às mulheres. Não só em relação às mulheres no geral (nem vamos entrar na questão da desigualdade, senão nem saía daqui), mas em relação às grávidas e às que já têm filhos.

Para muitos patrões ter uma mulher grávida na empresa ou uma mulher com filhos é um entrave. É um medo, é um “chega para lá” no que diz respeito a evolução na empresa. E desde que me comecei a aperceber disso, que o meu cérebro começou a olhar para o mundo do trabalho de forma diferente.

Nem sempre trabalhei em sítios brilhantes e onde me trataram de maneira exemplar, tal como era o meu profissionalismo. Nem pensar! Chorei muitas vezes! Muitas! Fui maltratada! Muitas vezes! Mas o meu trabalho nunca deixou de ser feito da mesma maneira. Não sou de me vingar, até porque nunca ninguém deve deixar de ser profissional, seja em que circunstância for.

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Mas há cerca de seis anos engravidei. Nunca os meus chefes e patrões tiveram nada a apontar, pois trabalhei até quase aos nove meses de gravidez e sempre da mesma maneira.

Mas sabem por que razão trabalhei até essa altura? Porque estava bem! Porque me sentia bem! Porque o meu filho estava bem. Mas há mulheres que não passam pelo mesmo! Há mulheres que precisam de estar deitadas! Nem todas somos iguais! E há que respeitar o corpo e os sintomas de cada uma.

Ser mulher não é fácil! Estar grávida ainda é pior! Porque somos olhadas de lado a nível profissional e porque nos põem de lado, como se já não servíssemos para o posto ou função que temos.

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Mas senhores! Ser mulher, grávida, mãe… é a melhor coisa do mundo! Eu sou tudo isso… e sabem que mais? Sou também uma mulher que adora trabalhar! Que adora evoluir profissionalmente, que ama o que faz e que abraça os projetos de forma única.

Por que razão vocês, chefes e patrões, não olham para as grávidas e mães como exemplos? Como pessoas que têm dois trabalhos (sim, ser mãe dá mais trabalho do que imaginam) e que, ainda assim, acordam todos os dias para passar mais de oito horas de trabalho na vossa empresa?

Por que razão não pensam que, se vocês estão cá, é porque foram mulheres que vos puseram no mundo? Que foram elas que “deram o litro” para vos fazer crescer, para vos ajudar?

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Por que razão não somos nós, mulheres, tratadas da mesma forma? Por que razão acham que uma mulher por ser mãe ou por estar grávida (sem as limitações que podem acontecer, claro), vão deixar de ser profissionais?

Mudem as mentalidades! E não sejam adeptos do ditado “por umas pagam as outras”, porque eu sei que algumas (muitas!) se aproveitam, mas não somos todas iguais. Tal como vocês, chefes e patrões, também não são.

Mas “abracem” essas profissionais. Mantenham-nas na vossa empresa. Contratem mulheres que queiram ser mães ou que já sejam. Tenham na vossa empresa mulheres felizes!

Ainda acredito que um dia, quem sabe um dia, o mundo laboral vá mudar, e que vocês, chefes e patrões, merecerão o meu aplauso. Neste momento só merecem alertas! Porque enquanto o papel das grávidas e mães não mudar nas empresas, não merecem mais nada!

Sem mais de momento,

Ana

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