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Cuidado: Brinquedos com sons podem levar à perda de audição

Redação
publicado há 1 mês
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As alturas festivas são uma grande alegria para os mais novos, mas são também, por vezes, sinónimo de uma grande dor de cabeça para os mais velhos, em especial se como presentes vierem brinquedos com sons, que, após algumas horas de intensa brincadeira, acabam com a paciência dos adultos à sua volta.

Mas é essencial ficar atento a este tipo de brinquedos, pois podem danificar muito mais do que apenas a paciência dos adultos – são uma séria ameaça à saúde auditiva de todos!

E o alerta dos especialistas em todo o mundo é geral: é necessário ter muita atenção à audição das crianças e limitar a poluição sonora a que estão sujeitas, sob pena de danos permanentes e irreversíveis.

O impacto dos brinquedos

 

Os pais acreditam, muitas vezes, que o ruído e a exposição à poluição sonora é um problema com o qual não têm de  se preocupar até os filhos chegarem à adolescência, altura em que começam a utilizar os leitores de música portáteis e a frequentar bares, discotecas e recintos de concertos, onde os níveis de ruído são muito elevados.

Contudo, esta é uma perceção errónea e, grande parte das vezes, são os próprios pais que expõem as crianças a elementos prejudiciais, com consequências para a sua audição, ao oferecer-lhes brinquedos que podem contribuir para sonotrauma, ou lesões por trauma acústico.

A distância que habitualmente existe entre o ouvido da criança e o brinquedo, pode ser muito pequena, de apenas alguns centímetros; não nos podemos esquecer que o comprimento do braço de uma criança é menor do que o do adulto, fazendo com que a distância para o ouvido seja muito curta.

É com frequência que as crianças levam os brinquedos à boca e junto ao ouvido, diminuindo esta distância e aumentando a intensidade do ruído. Há ainda a considerar o tempo de exposição ao ruído. Quanto mais tempo uma criança estiver exposta maior será o dano possível provocado.

Buzinas e armas são os mais perigosos

 

Medições feitas aleatoriamente por uma associação internacional não governamental revelam que há no mercado alguns brinquedos capazes de emitir sons que podem ultrapassar os 85 decibéis (dB), valor a partir do qual o ruído pode ser prejudicial para a maioria das pessoas.

Dos brinquedos testados, 95 por cento ultrapassaram os 85 dB a uma distância de 0 centímetros do ouvido e cerca de 27 por cento a uma distância de 25 centímetros. Alguns brinquedos atingiram valores equivalentes à exposição a um metropolitano (90 dB) ou mesmo um concerto de música rock (110 dB), este último quando o brinquedo é colocado diretamente junto ao ouvido.

Entre os brinquedos mais perigosos para a saúde auditiva encontram-se as buzinas e as armas.

No entanto, o ruído tem ainda outros efeitos adversos além dos auditivos. Outros estudos revelam que este está associado a alterações de humor, estados de irritação, diminuição da atenção e da performance, entre outros.

Uma questão de saúde pública a prevenir

 

Vivemos numa sociedade muito barulhenta e todos nós conhecemos alguém com algum grau de perda auditiva. Segundo a  organização Mundial de Saúde (OMS), a exposição a ruído excessivo é a principal causa evitável de surdez permanente, constituindo um importante problema de saúde pública.

Estima-se que uma perda temporária e reversível da audição (a forma de agressão mais simples associada ao sonotrauma) ocorre em cerca de 8,5 por cento das crianças entre os seis e os 11 anos de idade.

Se pensarmos que as células do ouvido interno (principal local de lesão por trauma acústico) não se multiplicam, e que a esperança média de vida tem vindo a subir ao longo dos anos, facilmente percebemos o impacto que medidas preventivas possam ter nesta problemática.

É impossível proteger as crianças da poluição sonora a que estão sujeitas no seu dia–a-dia. Contudo, e no caso dos brinquedos, existem alguns aspectos que podem e devem ser tidos em atenção. Por exemplo, os pais devem testar os brinquedos antes de os adquirirem.

Se o brinquedo for demasiado ruidoso para o adulto, não é aconselhável a sua aquisição, pois irá certamente ter consequências negativas na audição das crianças.

Caso o brinquedo já esteja na posse da criança, podem ser tomadas algumas ações, que podem passar pela remoção das pilhas, pela colocação de fita-cola ou cola líquida ao nível da saída do som do brinquedo.

Chama-se à atenção, no entanto, que a fita-cola pode ser facilmente colocada e retirada pela criança e que acidentalmente pode ingeri-la.

Por outro lado, a cola líquida pode inviabilizar a garantia do brinquedo. Pequenas atitudes podem fazer a diferença no futuro da audição dos nossos filhos.

Cabe aos pais esse papel através de ações simples e do ensino dos malefícios do ruído intenso.

 

SAIBA QUE…

 

? A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 30% da população europeia está exposta a ruído noturno que excede os 55 dB com graves implicações a nível o sono.
? Ruído acima de 85 decibéis (dB) no local de trabalho, obriga à utilização de protetores auditivos.
? Existem brinquedos que emitem ruído na ordem dos 90/95 dB, o equivalente ao ruído emitido por um cortador de relva. Os profissionais que lidam com este tipo de máquinas têm de utilizar proteção auditiva, para prevenir lesões.

 

Texto: Dr. Tiago Porfírio Costa, Otorrinolaringologia
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