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Bebés usados como correio de droga em prisões portuguesas

Redação
publicado há 1 semana
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O nosso site entrevistou três guardas prisionais que explicam de que forma a droga entra nas prisões portuguesas através de crianças.

A existência de droga nos estabelecimentos prisionais portugueses é uma realidade há muito presente, embora só mais recentemente tenha ganhado contornos gigantescos na comunicação social.

Como entra a droga nas prisões?

As notícias que dão conta das festas privadas no interior das prisões com acesso a droga têm chocado o país. Mas, como entram os estupefacientes num espaço controlado e vigiado, que deveria ser sinónimo de segurança?

O nosso site falou com três guardas prisionais, de diferentes estabelecimentos prisionais de Portugal, de modo a perceber como é feita a passagem da droga do exterior para o interior das prisões. António, João e Manuel (nomes fictícios) fazem revelações surpreendentes sobre o uso de crianças como correio de droga nas prisões portuguesas.

«Muitos dos objetos ilícitos que entram nos estabelecimentos prisionais também passam através crianças», começa por revelar Manuel. «Não são elas, por autoria delas, que o fazem, mas que são aproveitadas por quem vai com eles à visita para fazer passar esses objetos. Porque já sabem que à partida poderá haver ali uma tolerância em termos de revista», acrescenta.

Como é feita a revista a uma criança?

Habitualmente, uma revista às visitas é feita com passagem por um pórtico de deteção de metais e através de apalpação. No que diz respeito a crianças, a mesma revista pode divergir mediante a idade do menor.

Segundo nos explica António, «as crianças de colo, normalmente, são só revistadas na sala mais privada, juntamente com a mãe ou com o familiar com quem vai. Já as maiorzinhas, que já consigam andar, passam no pórtico como os adultos, vão à sala com os acompanhantes e é-lhes feita a revista normalmente.»

Bebé transportava droga «no meio das fraldas»

Muitos são os casos em que as crianças que visitam reclusos em estabelecimentos prisionais são usadas para o transporte e passagem de droga. Apesar da revista feita, existem sempre situações que passam e só mais tarde são intercetadas.

Leia também: Como se explica a uma criança que o pai ou a mãe estão presos?

«No caso do estabelecimento onde trabalho, a avó pediu para ir à casa de banho com a criança. Detetámos movimentos suspeitos depois da criança ir à casa de banho. Já na sala de visitas, novamente, detetámos movimentos suspeitos e isolámos as visitas e o recluso. Foi feita uma revista e este tinha droga com ela», conta António.

Também o guarda João diz ter vivenciado uma situação em que um bebé transportava «bolotas de Haxixe no meio das fraldas.»

«A criança não devia estar na prisão»

A presença de crianças num estabelecimento prisional para visitar familiares reclusos não é uma constante mas é uma realidade.

Seja um pai, um tio ou irmão, as crianças que entram numa prisão estão sujeitas a lidar com um mundo em que os familiares estão privados de liberdade e em que, por vezes, gerir sentimentos se torna difícil.

Para os guardas prisionais que entrevistámos a compreensão é um fator chave para que o processo de visita de crianças a reclusos corra da melhor forma. «Durante o processo da visita compreendemos que a criança não devia estar na prisão. Aceitamos facilmente os comportamentos da mesma», afirma João.

«Já me aconteceu pegar ao colo uma criança. Isso atenua o stress das pessoas. Nós temos uma vertente humana que também é vista pelo recluso e é reconhecida», termina.

Texto: Marisa Simões

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