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«Bati no meu filho e vou arrepender-me para o resto da vida»

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publicado há 8 meses
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Uma palmada nunca fez mal a nenhuma criança. Ouvia tantas vezes isto antes de ser mãe. Tantas vezes. Eu também as levei dos meus pais. E fez-me bem. Mas a primeira vez que bati no meu filho a sério… arrependi-me para sempre. E ainda hoje choro a pensar nisso.

Não espanquei o meu filho. Dei-lhe uma palmada. Apenas uma palmada, mas daquelas bem dadas, porque estava a fazer uma birra descomunal como nunca tinha visto. Levantou-me a mão três vezes e tentou morder-me. Parecia possuído pelo demónio. Nunca o tinha visto daquela maneira. Meu Deus!

Era de manhã e não havia tempo para paciência nem castigos nem conversas. Birras gratuitas próprias dos dois anos e meio. Já sem fralda, mas com o pijama, a minha mão ficou marcada no rabinho dele. Até chorei quando vi. Mas teve de ser. Nunca o tinha feito. Mas teve de ser, porque não admito meninos mal educados que batem. As birras podem ser normais, mas levantar a mão a uma mãe é que não. Reconheceu o erro e pediu-me desculpa. Abraçou-me. Fizemos as pazes.

O problema veio depois. Quando o levei à creche avisei logo a educadora da manhã difícil. «É próprio da idade, mãe. Há que ter paciência», disse-me. No final da tarde, quando o fui buscar, levei uma reprimenda. «O seu filho tem a sua mão marcada no rabinho, acha que fez bem? Não é a bater que exigimos o respeito dos nossos filhos. Aqui na escolinha ninguém nunca tocou nos meninos, eles ficam de castigo e depois portam-se bem.» Fiquei calada, corada sem saber o que dizer.

Ainda hoje não acredito e só me apetece chorar. Foi horrível ter de lhe dar uma palmada. Já foi difícil o suficiente e depois ainda tive de ouvir isto da diretora da escola. AHHHHHHHHHHH PORQUÊ? Mas nunca ninguém deu uma palmada bem dada ao ponto da criança ficar marcada? Como é óbvio nunca mais o fiz. Mas tenho aprendido a lidar com as birras.

E o meu filho nem é dos piores. Eu imagino aqueles meninos que fazem birras por tudo e por nada… Se calhar faltam-lhes palmadas bem dadas, ou então é do feitio deles. Há miúdos mais difíceis…

Já passou… Não sei se fiz o mais correto, mas arrependi-me. E marcou-me aquele dia.

Texto: Cátia Pereira

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