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«Assumo, orgulhosamente, as marcas da vida no meu corpo»

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publicado há 2 semanas
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Precisava muito de renovar o meu stock de fotos. O meu livro estava prestes a ficar pronto e os meus textos publicados também pediam fotos mais atuais para colocar ao lado da minha descrição como autora.

Uma amiga querida prontificou-se a tirar as fotografias e fizemo-las numa tarde descontraída, regada a boas risadas.

Quando, dias mais tarde, ela encaminhou as fotos para aprovação, fiquei um pouco chocada com as rugas que estavam ao redor dos meus olhos. Nada gritante, mas perfeitamente aparente.

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Aos 46 anos, não podia ter a pretensão de uma pele lisa e luminosa. Não sou artista de televisão. Sou uma mulher comum, que trabalha o dia todo dentro de um escritório e que se desdobra para dar conta não só do trabalho, mas também da casa, das filhas e do casamento. E, claro, dos meus textos, a minha terapia da alma.

Ainda assim, como as tais ruguinhas me incomodaram, pedi à minha amiga que se valesse da tecnologia para “suavizar” as linhas de expressão do meu rosto. Horas depois recebo as fotos retocadas… Não, aquela não era eu. Não refletia a realidade dos meus anos e da minha vida.

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O tempo é inclemente. Ele não para quando precisamos, não retrocede quando seria imprescindível. E também não “voa” quando nós só queríamos estar anos à frente. Ele corre, flui, na sua velocidade e cadência peculiares. O tempo não te espera, não olha para trás. Ele segue em frente, assim como o envelhecimento do nosso corpo e o amadurecimento dos nossos sentimentos.

Nunca tive problemas em dizer a minha idade. Nunca tive vontade de ter menos idade do que a atual. Foram muitos e muitos anos de luta, suor e lágrimas para obter conquistas tangíveis e inatingíveis. Muitos e muitos quilómetros de estrada de vida para querer retroceder. Então, por que razão hei de querer disfarçar o sinal inequívoco do tempo na minha pele?

Olho para o meu rosto e corpo refletidos no espelho, e sinto orgulho da cicatriz no meu baixo ventre. Ela mostra que pude dar à luz as minhas preciosidades. Os meus seios já não têm a mesma aparência de antes, mas isso faz-me lembrar que já estiveram cheios de leite um dia, e que, ainda que por pouco tempo (não tive leite o suficiente para uma amamentação prolongada) pude alimentar as minhas filhas. A minha barriga já não tem a mesma elasticidade de antes, mas a sua flacidez faz-me lembrar que pude abrigar minhas filhas por muitos meses… Sim, tive a dádiva de acariciar a minha barriga grande e redonda por duas vezes: o milagre que só uma mulher tem a capacidade de receber e sentir.

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Então, como não ter orgulho das ruguinhas que estão ao redor dos meus olhos? Elas mostram a mulher corajosa que sou. A mulher que mora dentro de mim!

Pedi à minha querida e paciente amiga que, afinal, desfizesse os retoques nas fotos. Queria as fotos originais. As fotos que mostram como realmente sou e estou. E mostram como me sinto também: orgulhosa de ter chegado até aqui, com todos os meus erros, tropeços e quedas, mas também com as minhas vitórias, conquistas e, principalmente, com uma vontade enorme de me levantar da cama todos os dias e lutar pela vida.

Esta é minha história. E cada uma das linhas de expressão do meu rosto contam uma parte dela.

Texto: Marcella Bisetto, mãe, advogada e escritora apaixonada

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