Saúde

As alergias respiratórias estão a aumentar no nosso país? Porquê?

Redação
publicado há 1 mês
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Sim! Na Europa, as doenças alérgicas afetam cronicamente mais de um terço da população e Portugal não é exceção. A alergia é um problema de saúde pública de grandes proporções – uma em cada três crianças é alérgica e estima-se que, dentro de 10 anos, a doença afete mais de 50 por cento de todos os Europeus.

A causa é multifatorial. Para além da genética, muitos fatores de risco relacionados com o estilo de vida das sociedades ocidentais – sedentarismo, alteração da dieta, obesidade, poluição dentro e fora dos edifícios, exposição a alergénios, consumo excessivo de medicamentos, nomeadamente de antibióticos, contribuem para esta expressão quase explosiva que ocorreu nas doenças alérgicas nas últimas décadas.

Para as pessoas que sofrem de alergias, a poluição atmosférica aumenta a reação aos alergénios nas vias respiratórias. Os investigadores referem que o aumento das doenças alérgicas pode ser diretamente causado pela poluição atmosférica, que piora a inflamação, o stress oxidativo e altera a resposta imunitária. Além disso, os gases com efeito de estufa provocaram aumento da temperatura do planeta, conduzindo a um maior crescimento de plantas alergénicas e maior produção de pólen e períodos de polinização mais longa, que estão a piorar as condições para as alergias e asma.

A poluição atmosférica também piora a asma, provocando maior reatividade brônquica, e por consequência mais sintomas. A asma é uma das doenças crónicas mais frequentes; afeta 300 milhões de pessoas em todo o mundo, de todas as idades, e é um sério problema de saúde pública. A sua prevalência e impacto estão a aumentar sobretudo nas áreas urbanas, associados precisamente a alterações ambientais e do estilo de vida.

Em 2025, a asma será a doença crónica mais prevalente da infância e uma das maiores causas de encargos em saúde.

A alergia aos pólenes é a alergia típica de primavera por excelência! Consiste na ocorrência de sintomas (mais frequentemente rinite e/ou conjuntivite, mas em cerca de 40 por cento dos afetados também asma) em indivíduos sensibilizados ao pólen quando este se encontra em elevada quantidade no ar, tal como acontece em plena primavera.

Os pólenes são os alergénios mais importantes do ambiente exterior que induzem sintomas de doença alérgica. A gravidade das manifestações alérgicas depende da quantidade de pólen libertado e da exposição do indivíduo durante a estação do ano específica; por isso, podem variar de ano para ano, sendo mais graves quando há níveis de pólenes mais elevados.

No último século assistimos a um progressivo e surpreendente aumento da prevalência da rinite alérgica a pólenes, tendo passado de uma doença rara para se tornar a condição imunológica mais frequente no ser humano hoje em dia! De facto, a rinite é a mais prevalente das doenças alérgicas e afeta atualmente cerca de 30 por cento dos portugueses.

Sobre os pólenes

Os pólenes são grãos produzidos pelas plantas de pequeníssimo tamanho, microscópicos e por isso invisíveis ao olho humano. Eles viajam muitos quilómetros com o vento para propagar as sementes da espécie. Além disso, cada planta produz milhares e milhares de grãos de pólen.

As condições atmosféricas são determinantes para a maior agressividade dos pólenes. A temperatura e humidade mais propícias à polinização ocorrem durante os meses de primavera e início de verão para a maioria das plantas. O vento, a temperatura elevada e o tempo seco favorecem maior gravidade de sintomas. Por outro lado, os períodos de chuva reduzem drasticamente os níveis de pólen. No entanto, é fundamental ter noção que nem todas as plantas polinizam ao mesmo tempo, nos mesmos meses.

O pólen das gramíneas, também conhecidas como fenos, é de longe o principal responsável por alergias respiratórias.

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Os pólenes em Portugal existem todo o ano, mas são mais frequentes nos meses de fevereiro a outubro, sendo os picos mais elevados nos meses de maio a julho. Nos meses de outono e inverno observam-se contagens mais modestas, e de algumas espécies específicas como é o caso do cipreste.

É muito importante ter conhecimento quais os pólenes que provocam alergia, para prever quais os meses em que terá sintomas, uma vez que a concentração de pólenes de cada espécie tem épocas próprias, que dependem do seu ciclo de polinização influenciado por condições atmosféricas favoráveis.

Alergia aos pólens – sinais e sintomas

Os sinais e sintomas das reações alérgicas são muito semelhantes aos que ocorrem nos quadros de constipação e consistem em múltiplos espirros, pingo no nariz e congestão nasal, comichão no nariz e olhos… e ocasionalmente tosse ou outros sintomas respiratórios. As diferenças principais é que nos casos de constipação aparece febre e muitas vezes nos casos de alergia estão associados sintomas oculares (olhos vermelhos, a lacrimejar, etc) e a tosse normalmente é seca, sem expetoração. Além disso, se os sintomas se repetem frequentemente no tempo ou com duração de muitos dias, é mais provável que se trate de alergia.

Algumas pessoas apresentam também alergia na pele.

Os sintomas de alergia a pólenes podem aparecer em qualquer idade, e mesmo aparecer de novo em adultos!

Diagnóstico da alergia aos pólenes

Quando um doente sofre de sintomas de rinite e/ou conjuntivite e/ou asma em dias de sol, sobretudo com vento, e melhora nos dias de chuva, é muito provável que sofra de alergia a pólenes! Se os sintomas se repetem sempre na mesma época do ano, o diagnóstico é mesmo muito provável.

Para o comprovar e para saber quais os pólenes envolvidos, é fundamental recorrer a um Médico Alergologista.

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A alergia aos pólenes tem cura?

Uma vez que se começam a manifestar, os sintomas clínicos tendem a persistir cronicamente, ou mesmo a agravar-se (entre 30-60 por cento dos doentes com rinite alérgica a pólenes pode acabar por desenvolver asma).

Uma percentagem muito pequena de doentes (cerca de oito por cento) pode apresentar remissão clínica espontânea, ou seja, passa a deixar de ter sintomas sem precisar de tratamento – mas estes casos são considerados raros.

Tratamento

Existe tratamento para impedir o aparecimento dos sintomas, ou tratamento para os aliviar. A opção depende da opinião do Médico Alergologista, que pondera cada situação caso-a-caso, e por isso é fundamental a consulta.

O tratamento medicamentoso preventivo depende de conhecer a época de polinização dos pólenes a que o doente é alérgico e consiste em tomar fármacos antialérgicos (anti-histamínicos, sprays nasais, etc) durante essa fase, de forma a impedir o aparecimento dos sintomas. Esta solução é temporária e não cura a doença, mas permite o conforto do doente.

Se a doença é mais grave, ou de forma a eliminar a necessidade de medicamentos constantes, pode-se decidir por fazer vacinas (imunoterapia específica) que têm um efeito benéfico duradouro por vários anos.

 

 

Texto: Prof. Dra. Mariana Couto, Imunoalergologista - www.marianacouto.pt

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