Saúde

Agostinho Branco teve cancro da mama e assume: «O cancro mudou-me para melhor»

Andreia Costinha de Miranda
publicado há 2 semanas
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A 30 de outubro assinala-se o Dia Nacional de Prevenção do Cancro da Mama e, por isso mesmo, o site Crescer assinala esta efeméride de uma forma “diferente” do habitual: dando a conhecer a história de um homem que teve cancro da mama.

 

Chamam-lhe Outubro Rosa fazendo alusão à prevenção do cancro da mama, mas esse Outubro Rosa é, na verdade, de todas as cores.

E explicação é simples: «Não acontece só às mulheres. Eu sou homem e tive cancro da mama!» É assim que Agostinho Branco, hoje com 70 anos, natural de Rio Tinto, recorda uma das fases mais difíceis pelas quais passou.

«A palavra “cancro” assusta e leva a pensar o pior»

Tinha 62 anos quando, numa manhã como outra qualquer, se deparou com algo estranho na mama. «Cocei o mamilo e senti um nódulo. Fui ver na outra e não tinha nada. Marquei logo consulta e mandaram-me fazer ecografia e mamografia. Aconselharam-me a fazer biopsia e passados três dias ligaram a dizer que o resultado estava pronto. A minha mulher foi buscá-lo e ligou-me a chorar», conta Agostinho. 

E salienta: «Nunca pensei que isto me ia acontecer. Disseram que eu ia ser tratado no IPO. Foi uma sensação… não sei explicar! A palavra “cancro” assusta e leva a pensar o pior. Não queria entrar no IPO, não queria… Mas tinha de ser».

Agostinho assume que na altura não foi fácil. «Chorei muito. Chorei bastante. Ao início não contei aos meus filhos».  

Esse momento difícil, por mais estranho que pareça, foi atenuado pelas palavras de um médico. «O médico disse-me que se não morri na guerra em Angola, que agora também não ia morrer. E aquilo ficou-me na cabeça», garante.

«Disseram que tinha de fazer mastectomia radical», anuncia. E quando chegou a altura da verdade… «Quando tirei o penso, vi que tinha um lenho. Tenho uma cicatriz grande. Meteu-me um bocado de confusão», assume.

Foto: Ana Paula Lopes (Ana Bee), Sweet December Project

Mas não se deixou ir abaixo. Foram quatro sessões de quimioterapia, 25 de radioterapia e cinco anos de hormonoterapia. «Hoje, oito anos depois, não faço nada, mas estou em vigilância», esclarece.

«O cancro é traiçoeiro, é silencioso. Temos de estar atentos às alterações. Se fosse hoje olhava para as minhas mamas e diria que aquela mama tinha cancro. Já estaria alerta», garante.

«Fazer voluntariado é a minha missão»

Depois de tudo o que passou, Agostinho passou a fazer voluntariado no IPO e na Clínica da Mama, ambos no Porto. E se ao início não queria sequer entrar no IPO, hoje garante que é um sítio onde se sente muito bem. «O sítio onde me sinto mais feliz é lá dentro, no IPO, a ajudar os outros». «Ali dentro dão-me uma auto-estima muito grande e eu costumo dizer que enriqueci muito, não monetariamente, mas como pessoa», revela.

E apesar das dificuldades, Agostinho admite: «O cancro mudou bastante a minha vida. Fez-me pensar que afinal nós não somos nada e às vezes chateamo-nos por coisas tão pequeninas, que não valem nada… Mas mudou-me para melhor. Dou mais valor à vida e dou mais importância às coisas pequeninas. Tento aproveitar o mais possível porque não somos nada neste mundo. Nada», garante.

«Faço tudo o que é possível para alertar o sexo masculino para esta realidade»

Segundo a Liga Portuguesa Contra o Cancro, o cancro da mama é um problema de saúde pública. Apesar de não ser dos mais letais, tem uma alta incidência e uma alta mortalidade, sobretudo na mulher (apenas 1 em cada 100 cancros se desenvolvem no homem).

?Atualmente, em Portugal, com uma população feminina de 5 milhões, surgem 6 mil novos casos de cancro da mama por ano, ou seja, 11 novos casos por dia, morrendo por dia quatro mulheres com esta doença.

Talvez por as estatísticas serem estas, a informação selecionada relativamente ao cancro da mama é muito mais direcionada para o sexo feminino do que para o masculino, mas… segundo Agostinho, «é uma lacuna». «Não me sinto esquecido. Faço tudo o que é possível para alertar o sexo masculino para esta realidade. Faço voluntariado, falo com pais, com alunos… tudo tem corrido tão bem que acho que estou a mudar essa realidade. Tento marcar a diferença», revela.

Há oito anos, o cancro da mama nos homens era um assunto muito menos falado do que nos dias de hoje e Agostinho contou com total apoio da família. «A minha voluntária foi a minha esposa, sem dúvida nenhuma. Os meus filhos também, principalmente o mais velho. Eles foram os meus voluntários. Na altura não havia voluntários homens para me apoiarem no IPO», realça. E acrescenta: «Os homens ainda têm muita vergonha em relação ao cancro da mama», garante.

São muitas as histórias que Agostinho nos conta. Histórias de homens, de mulheres, de famílias que precisam de apoio. E Agostinho está lá para os ajudar. «Esta é a minha missão. Eu sinto-me bem. As pessoas agradecem-me, mas eu é que agradeço por todos os ensinamentos que me dão», finaliza.  

Fotos: Reprodução Facebook e Ana Paula Lopes (Ana Bee), do Sweet December Project

 

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