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11 de setembro de 2001: Como se explicam às crianças os ataques às Torres Gémeas?

Filipa Rosa
publicado há 4 dias
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Os ataques às Torres Gémeas, em Nova Iorque, vão ficar para sempre marcados na vida de quem assistiu às imagens de horror em direto. Morreram mais de três mil pessoas e outras tantas ficaram feridas. A data que se assinala esta quarta-feira, 11 de setembro, será eternamente recordada com dor e sofrimento. Mas como se explica às crianças o que aconteceu há 18 anos no World Trade Center?

Para Joana Monteiro, psicóloga clínica e psicoterapeuta de crianças, adolescentes e adultos (ver site e contactos), «são muitas as vezes em que somos forçados a lidar com situações que trazem à luz o pior do ser humano como a morte, a destruição e a violência brutal», tal como assistimos no 11 de setembro. «Se para nós é difícil ver e aceitar (se é que isso é possível) esse tipo de situações, muito mais difícil é falar sobre elas com os nossos filhos», diz.

«Como explicar que de facto essas situações acontecem? Que há pessoas que se matam umas às outras pelo ódio, pela diferença de opiniões e valores? Como explicar que há guerras? Que há lugares onde falta respeito, segurança e a ameaça à vida é uma constante? Penso que uma parte muito importante da educação dos nossos filhos é prepará-los, dentro do possível, para o Mundo e a verdade é que nele há destruição e morte, mas também (e que assim seja na maioria dos nossos dias) amor, respeito e compreensão», explica a psicóloga.

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Joana Monteiro defende que a explicação deverá ser dada consoante a idade dos menores, bem como o perfil e personalidade de cada um. «É importante conhecermos bem os nossos filhos e consoante a idade ir “doseando” a quantidade e a forma como lhes vamos dando a conhecer este nosso Mundo. Hoje em dia, o acesso à informação é feito de forma muito imediata e, por vezes, não há tempo para conseguirmos “filtrar” esse acesso», refere. «Por isso mesmo, é importante sabermos que não podemos apresentar o Mundo como um lugar perfeito. Sabemos bem que não o é, mas também não podemos fazer do Mundo um lugar horrível, feio e injusto.»

O ideal, segundo a psicóloga, é serem os próprios pais e cuidadores a explicarem acontecimentos como este. «Devemos fazê-lo de forma simples, breve e mostrando-nos disponíveis para responder a perguntas que tenham. Muitas vezes, eles até nos surpreendem pela forma como reagem», afirma Joana Monteiro.

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«Os mais novos acabam também por viver e assistir a situações de injustiça, de violência, na medida deles, é claro. Por isso podemos explicar-lhes que há pessoas crescidas que magoam outras, que fazem coisas más e que não sabem respeitar os outros. Mas sobretudo é importante focarmos que, por isso, é tão importante, no nosso dia-a-dia fazermos, com pequenas coisas mas tão importantes, do Mundo um lugar melhor», refere, exemplificando com algumas boas ações. «Emprestar os brinquedos, ajudar um amigo, cuidarmos e respeitarmo-nos uns aos outros o máximo possível. E não adianta pregar estas coisas só, eles aprendem com o que veem e nós, pais e cuidadores, somos os principais modelos. A forma como tratamos os nossos amigos, familiares e, sobretudo, os desconhecidos, a pessoa que nos dá o café, que passa na passadeira, que se cruza no supermercado, todos com quem nos vamos cruzando com empatia, com respeito e carinho. Faz toda a diferença e torna, sem dúvida, o Mundo um lugar melhor», conclui a psicóloga.

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